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QUANDO EU VI COM MEUS PRÓPRIOS OLHOS…

12 de jun. de 2025
2 min de leitura

Atualizado: 13 de jun. de 2025

Eu, Everton Lopes, jamais vou esquecer aquele momento.


Era no sertão baiano, em um povoado cigano esquecido pelo mundo. Um lugar onde parecia que a dignidade havia sido arrancada — não apenas das coisas, mas das próprias pessoas. Onde o direito ao respeito era negado como se não pertencessem a esta humanidade.



Crianças descalças, famílias inteiras vivendo em barracas feitas de lona rasgada e pedaços de madeira velha. O chão? Apenas terra seca, dura, rachada. O céu, um horizonte incerto, sem promessa.


Mães tentando acender fogo com gravetos secos, equilibrando panelas velhas, furadas, tentando cozinhar qualquer coisa — só para alimentar a fome que corrói por dentro e por fora.


Não havia banheiro. Não havia água limpa. Não havia energia elétrica.

Havia apenas abandono.

Havia só o desprezo.

E, no meio disso tudo, a rejeição cruel — porque eram ciganos, porque eram pobres demais para merecer um olhar de humanidade.



Mas o que mais me dilacerou não foi só a cena da miséria. Foi o que descobri depois: as mesmas imagens, aquelas mesmas crianças, aqueles mesmos rostos, estavam sendo usados como “cartão-postal” para angariar doações — doações que nunca chegavam até eles.


Vi com meus próprios olhos a manipulação.

Vi gente enriquecendo às custas daquela dor.

Vi um falso pastor vendendo esperança e colhendo luxo, enquanto as crianças morriam de fome e frio.


Rejeitados pela sociedade, por preconceito e indiferença.

Rejeitados até por aqueles que diziam lutar por eles.



Naquele chão seco, eu entendi que lutar pelos pobres não é só dar um prato de comida.

É denunciar quem se esconde atrás da caridade para explorar a miséria.

É falar alto quando todos querem calar.


E assim fizemos: denunciamos.

Mesmo entre ameaças.

Mesmo sendo chamados de rebeldes.

Mesmo quando o mundo nos vira as costas.


Porque essas crianças não tinham voz.

E se a gente não falasse... quem falaria?

Muitos usam a dor dos outros como palanque para o próprio sucesso.

Nós usamos aquela dor como um grito de justiça.

Como um chamado para a transformação real.

Para um Evangelho que liberta, e não que escraviza com falsas promessas.


Hoje, quando lembro daqueles olhos assustados, da fome, do abandono...

Eu sei: não dá para servir a Deus e permanecer em silêncio diante da injustiça.

Não dá para ser ajudador e fechar os olhos para o mal.


Rejeição, abandono, exploração — não podem ser o destino de ninguém.

E enquanto houver um só ser humano esquecido, nossa luta não termina.





— Everton Lopes

Influenciando pessoas. Gerando vidas. Lutando por quem não pode lutar sozinho.

 
 
 

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