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  • Everton Lopes

EU PENSAVA QUE O CORONAVÍRUS ERA O INIMIGO, MAS...


Eu estava errado, confesso. Pois agora não há ninguém pra defender, apenas um vírus, não ha minguem pra atacar senão um vírus, mas... Continuamos defendendo e atacando as verdadeiras vítimas do único malfeitor da vez, as pessoas.



Bom, eu não sou médico então não pretendo fazer uma análise clínica sobre o COVID-19, porém como profissional e especialista há muitos anos na área da saúde mental, desenvolvendo projetos de ajuda humanitária nos lugares mais inóspitos do Brasil e mais de 40 países pelo mundo, em situações de guerra, catástrofes e perigos eminentes, quero me posicionar a respeito do que considero ser PIOR DO QUE O COVID-19, o que chamo de Pandemia Psicológica.


Pense nisso

O Brasil recebeu uma enxurrada de informações, seria ótimo, mas não foi. Pois mais importante que receber informações é, que tipo, como e o que faço com ela.

Uma das informações foram referentes a Itália e a situação que este povo tão familiar e aconchegante vive e enfrenta durante a pandemia. Mas, analisemos o seguinte contexto: o território italiano é menor que o estado do Maranhão no Brasil, sua população é de 60 milhões de pessoas, destes, 1/3 é idoso (grande parte acima dos 80 anos, a Itália é o país com maior número de idosos acima de 65 anos da Europa), na chegada do vírus os italianos estavam em pleno inverno (clima propicio para propagação de qualquer tipo de vírus, principalmente os que atuam em áreas respiratórias (inclusive todo ano nessa época milhares de idosos morrem por isso) e um dos principais fatores, o “de repente”, o povo italiano foi pego rápido não houve tempo hábil para entenderem e se prepararem para combater a proliferação do Corona vírus, simplesmente aconteceu.


Minha analise parte deste ponto, ö contexto” pois se criou uma histeria no Brasil baseado nos dados de contaminação e mortes na Itália, bem, longe de mim querer minimizar a morte de outro ser humano, aliás dedico minha vida desde 2002 exclusivamente em ajudar pessoas em centenas de projetos de ajuda humanitária. Porem mesmo se analisarmos apenas os números italianos, assim de maneira direta, ainda assim teríamos uma taxa de mortalidade razoável se comparado com outras doenças que anualmente arrebatam milhares de pessoas.


Por exemplo, na Itália, as doenças cardíacas e hipertensivas são as patologias que mais matam os italianos, segundo o Istat, em 2014, as mortes na Itália foram 598.670, doenças relacionadas ao coração são responsáveis por 30% das mortes no pais.


Agora analise comigo os seguintes dados:


  • · Para se ter uma ideia, a epidemia de SARS, que ocorreu em 2002 por conta de um outro tipo de coronavírus, teve uma taxa de mortalidade de 9,63% (com 813 óbitos e 8.437 casos).

  • · Já a epidemia de MERS, também causada por um coronavírus em 2012, fechou sua taxa de mortalidade em 34,45% (com 2.494 casos e 861 mortes).

  • · Muitos acham que a gripe é bobagem, mas ela mata em média 900 pessoas por ano no Brasil.

  • · É claro que o COVID-19 é um vírus é muito contagioso, mas cerca de 97% dos doentes se recuperam. Enquanto ele causou quase 3 mil mortes em três meses, a tuberculose mata 1,5 milhão por ano. O índice de letalidade do COVID foi de 3,4% na China, fora dela esse porcentual é de 1,4%.

  • · Agora se aprofundarmos nosso olhar estatístico, veremos que em 2018, cerca de 10 milhões de pessoas contraíram tuberculose no mundo e 1,5 milhão morreram da doença.

  • · As hepatites virais B e C afetam 325 milhões de pessoas em todo o mundo e levam 1,34 milhão à óbito anualmente.

  • · A OMS classifica o vírus HIV como um dos maiores problemas globais de saúde pública. Só em 2018, 770 mil pessoas morreram por complicações pela doença e 1,7 milhão de pessoas foram infectadas. Desde que o vírus surgiu, são 75 milhões de infectados e 32 milhões de mortes. (e não vejo campanhas antidrogas ou antisexo em nenhum lugar, pelo contrario há muito estimulo para liberação das drogas e muito financiamento inclusive publico para que o sexo seja cada vez mais banalizado.

  • · Uma das doenças mais comuns do mundo é a gripe, que anualmente leva cerca de 650 mil pessoas à óbito devido a complicações respiratórias. Em 2018, o Brasil registrou aumento de 194,4% no número de mortes por gripe em relação ao mesmo período de 2017 (839 contra 285 no ano anterior).

  • · Em 2018, o número estimado de casos de malária no mundo chegou a 228 milhões, com 405 mil óbitos.

  • · A meningite é uma doença infecciosa, transmitida por um vírus, bactéria ou fungo, que atinge cerca de 1 milhão de pessoas por ano no mundo.

  • · Com menos precisão de informações sobre transmissão e mortes, é estimado que a cada ano haja 143 mil mortes em todo o mundo por conta da cólera. Em 2016, último dado disponível, foram reportados 132 mil casos e 2.420 mortes, mas a OMS considera que há subnotificação porque ela costuma ocorrer em países pouco desenvolvidos.

  • · Anualmente, a estimativa é que a Febre Amarela atinja 200 mil pessoas e cerca de 30 mil mortes a cada ano. O Brasil teve 483 mortes por febre amarela entre julho de 2017 e junho de 2018. Isso porque a propagação da doença é evitável via vacina.

  • · Presente em 141 países, a cada ano cerca de 390 milhões de pessoas no mundo são infectadas pela dengue e 25 mil pessoas morrem da doença. Em 2019, o Brasil registrou o segundo maior número de mortes por dengue em 21 anos, com 754 mortes, atrás apenas de 2015, ano da pior epidemia já registrada. O número de casos prováveis da doença ultrapassou 1,5 milhão.

  • · Desde julho de 2019, a República Democrática do Congo vive uma epidemia da doença, ainda não controlada. Até agora, há 3,4 mil casos e 2,2 mil mortes.

  • Dito isso, para nenhuma destas houveram tantas predições apocalípticas como agora, tantas informações desencontradas e de má índole como tenho visto.


Por isso digo que pior que o COVID-19 é a Pandemia Psicológica.


Milhares de pessoas estão doentes na mente, muitos entrando em depressão por causa da sobrecarga de energia que estão dispensando para sobreviverem a esta enxurrada covarde de informações, outras centenas estão adquirindo patologias relacionadas a Ansiedade e Síndrome do pânico, e por fim aquelas que estavam controlando ou se livrando destas doenças mentais, mas agora estão ressuscitando suas crises.


Sem falar naqueles que falaram a vida toda sobre fé, agora desesperados, com reações absurdas e dignas de um verdadeiro apocalipse, seria cômico se não fosse trágico, dizer que sua fé não os preparou para o dia final da vida humana, mas este é outro assunto que não aprofundarei agora.


Quero deixar bem claro novamente que minha intenção não e minimizar os efeitos físicos da pandemia, mas nos despertar para uma reação mais sensata, equilibrada, e mais racional. Pois a questão, não é simplesmente passar por esse momento, mas como passar por esse momento e como que sobrara de cada um de nós depois que tudo isso acabar.


De nada adiantara acabar o COVID-19 e você se mantiver vivo, se depois precisar de mais 10 anos pra recuperar sua cabeça que entrou em pane, de nada adiantas ficar os próximos 5 anos desempregado em depressão, de nada adianta olhar para seus filhos sem COVID-19 porem definhando desnutridos e consequentemente adquirindo outras enfermidades mortais. Este vírus passara estes números acabarão, mas as outras estatísticas continuarão, como tem sido ano após ano.


Chamo sua atenção para a Saúde Mental, como está sua cabeça, suas emoções e porque não, sua espiritualidade, já que somos um ser com relações transcendentais.

Mais que, revelar nossa já conhecida precariedade governamental, expor nossas falhas nas áreas da saúde, meios de comunicação, transporte entre outras estruturas (confesso que não entendo o porquê da surpresa, há muitos anos é assim), o COVID-19 nos fez o favor de revelar a miserabilidade mental que nosso povo vive.


Mesmo em meio a Pandemia, milhares ainda ficam na internet (antes reclamavam que não tinham tempo pra descansar e curtir a família, mas agora) desafiando Deus em pseudos atos de fé, brigando por partidarismos, xingando o presidente, remoendo o ódio vivo em seus corações, enfim, me parece que o CONVID-19 tem demonstrado um enorme potencial revelador.


Muitas pessoas começaram a mostrar quem realmente são.


Algumas revelaram a solidão que elas tem, o vazio existencial, a falta de proposito, pois como a correria acabou, sente-se inúteis e vazias (solidão e solitude são completamente diferentes, assista meus vídeos ou leia outros artigos que escrevi a respeito), em outros o vírus revelou que a fé na verdade está firmada numa parede, uma fé que fica sentada nos bancos de templos onde é encontrada apenas nos eventos promovidos, o COVID-19 revelou o quão desumano são algumas autoridades e até médicos, pois muitos (não estou generalizando) simplesmente jogam “informações” como se estivesse dando de comer aos porcos, sem a mínima sensibilidade e responsabilidade com as consequências do que e como se fala, estão nem ai com aqueles que a recebem.


E para encerrar, o COVID-19 revelou que grande parte de nosso povo está mais preocupada em ter razão do que ter paz. Confesso que tentei alimentar dentro de mim durante alguns anos uma ideia diferente, eu dizia pra mim mesmo: Não! nosso posso não e assim, eles estão assim por serem infectados em épocas de eleição, então acabam agindo pela emoção e defendendo uma pessoa, por terem empatia coma mesma, se sentirem representadas por algum ponto.


Eu estava errado, confesso. Pois agora não há ninguém pra defender, apenas um vírus, não ha minguem pra atacar senão um vírus, mas... Continuamos defendendo e atacando as verdadeiras vítimas do único malfeitor da vez, as pessoas.

Então, finalizo minhas palavras sendo grato pelas revelações que tivemos, muitas foram as respostas, mesmo que isso me machuque, mas uma duvida nova começou a ecoar dentro de mim. Será que o COVID-19 realmente foi o grande malfeitor deste tempo, ou foi apenas uma arma que os verdadeiros malfeitores estão usando para exalarem o que realmente são????


Essa é a dúvida agora.

Por Everton Lopes

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